O branco como norma e o negro como desvio: crítica à normatividade racial na psicologia brasileira

Autores

  • Mailson Nogueira Alves Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) https://orcid.org/0000-0002-9197-1130
  • Giulia Tescari Medeiros Universidade Federal de Santa Catarina
  • Hellen Marostica Universidade Federal de Santa Catarina

Resumo

Analisando criticamente a forma como a psicologia brasileira contribuiu para consolidar a branquitude como norma e a negritude como desvio, buscamos evidenciar os efeitos da colonialidade na produção de saber. Parte-se da constatação de que, historicamente, a ciência psicológica concentrou seus estudos em pessoas negras e indígenas, reforçando a invisibilidade racial do branco e sua posição de referência universal. Com base em autores como Stuart Hall, Howard Winant, Guerreiro Ramos e Cida Bento, demonstra-se que a ideia de raça é uma construção discursiva que sustenta privilégios materiais e simbólicos atribuídos à branquitude. O artigo também discute como a negritude foi marcada pela condição de anormalidade, mas, ao mesmo tempo, constituiu-se em espaço de resistência, especialmente por meio de movimentos como a Negritude e da emergência da Psicologia Preta. O objetivo central é tensionar a naturalização desses polos hierarquizados, deslocando o foco do sujeito negro como problema para as estruturas de poder que o enquadram como tal. O método utilizado foi o bibliográfico, a partir da análise de autores clássicos e contemporâneos das ciências sociais e da psicologia. Conclui-se que repensar a normatividade racial é fundamental para uma psicologia crítica, descolonial e comprometida com a equidade racial.

Biografia do Autor

Mailson Nogueira Alves, Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)

Graduado em Psicologia pela Universidade da Amazônia (2017 - 2022), Psicólogo Clinico com ênfase na abordagem Fenomenológica Existencial; Possui experiência na área de Psicologia Clinica, Social e Comunitária, além de realizar pesquisas sobre Negritude, Existencialismo, relações de poder e resistência e Psicopolitica; Responsável Técnico do projeto Psicologia Papaxibé (2021- Atual); Pesquisador do Grupo de Pesquisa Filosofia Prática: Investigação em Politica, Ética e Direito - CNPq/UFPA e Psicólogo na Coordenadoria Antirracista de Belém - COANT (2024- Atual).

Giulia Tescari Medeiros, Universidade Federal de Santa Catarina

Psicóloga formada pela Universidade Federal da Bahia. Mestranda em Psicologia Social e Cultura na Universidade Federal de Santa Catarina.

Hellen Marostica, Universidade Federal de Santa Catarina

Psicóloga graduada pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Especialista em Saúde da Família e Comunidade pelo programa de Residência Multiprofissional da Escola de Saúde Pública de Santa Catarina. Mestranda em Psicologia Social e Cultura, na linha de pesquisa em estética, processos de criação e política. Psicóloga clínica. 

O branco como norma e o negro como desvio

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Publicado

2026-01-21

Edição

Seção

Artigos