Mercado de São José: cheiros, ritmos e disciplinas do abastecimento no Recife oitocentista
Resumo
Com sua arquitetura em ferro, regulação higienista e reordenamento do comércio de gêneros de primeira necessidade, o Mercado de São José pode ser entendido como um dispositivo central da modernização oitocentista do Recife. A partir do regulamento de 1875 e de documentação da Câmara, da Assembleia Provincial e do Diário de Pernambuco, o texto reconstrói as formas como o Mercado concentrou vendas antes dispersas pela ribeira, disciplinou corpos e práticas populares e serviu de nó fiscal da municipalidade. Discutem-se o processo conturbado de projeto e construção, as disputas em torno de empréstimos e orçamentos, o quadriculamento interno do espaço e as redes de arrematantes e fiadores que formaram verdadeiros polos de crédito e controle da carne verde. Por fim, o artigo destaca o mercado como laboratório de governamentalidade, onde se cruzaram higienismo, fiscalidade, exclusões sociais e permanências do vuco-vuco popular em torno do edifício.
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