Espelho, espelho meu...existem os meus pais no meu eu? O narcisismo parental e a constituição da subjetividade da criança
Resumo
O narcisismo representa uma estrutura em ascendência na contemporaneidade, sobretudo nas relações entre pais e filhos. O presente estudo investiga os impactos do narcisismo parental na constituição da subjetividade infantil a partir do referencial teórico da psicanálise. Parte-se do pressuposto de que os processos de subjetivação são atravessados pelos investimentos afetivos, desejos e expectativas das figuras parentais, podendo favorecer ou comprometer a emergência da singularidade da criança. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, desenvolvida por meio de revisão bibliográfica fundamentada, principalmente, nas contribuições de Freud, Winnicott e Lacan. A análise evidencia que, quando os investimentos narcísicos dos pais excedem sua função estruturante, a criança pode ser capturada pelas demandas parentais, comprometendo a constituição de um sujeito desejante e autônomo. Conclui-se que o narcisismo parental, embora constitua um elemento inerente às relações entre pais e filhos, pode tornar-se um obstáculo ao desenvolvimento psíquico quando impede o reconhecimento da alteridade e da singularidade infantil.
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