O Direito a intérprete e o uso de Inteligência Artificial (IA) no interrogatório de réu surdo
Resumo
O interrogatório é o momento processual em que o acusado fala por si, o que pressupõe compreender e ser compreendido. Para o réu surdo, essa possibilidade depende da presença de intérprete de Língua Brasileira de Sinais (Libras), nem sempre assegurada na prática forense, o que abre espaço para avaliar em que medida plataformas de Inteligência Artificial (IA) podem auxiliar nas atividades de tradução e interpretação do vernáculo para Libras, visando a efetivação do princípio da ampla defesa. Descrevem-se os obstáculos enfrentados por pessoas surdas no exercício da comunicação no âmbito processual penal, notadamente durante o interrogatório, bem como se analisa o arcabouço normativo que assegura o direito a intérprete e à acessibilidade comunicacional, nos planos constitucional, convencional e infraconstitucional. Utilizou-se o método dedutivo, mediante pesquisa bibliográfica e documental, com análise de conteúdo. Concluiu-se que a Inteligência Artificial pode atuar como instrumento subsidiário de apoio à comunicação do réu surdo, mas não substitui o intérprete humano, cuja presença permanece condição de validade do interrogatório e de efetivação da ampla defesa.
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